Maria Manuela Cordes Cabêdo Sanches Raposo de Magalhães nasceu a 4 de abril de 1948, em Lisboa, na freguesia de Santa Isabel. Concluiu a componente curricular do Curso Livre de Arquitetura Paisagista no Instituto Superior de Agronomia em 1971. Inscreveu-se no estágio profissional em dezembro do mesmo ano e iniciou a atividade profissional no Fundo de Fomento da Habitação.
Depois de abril de 1974, integrou a Secretaria de Estado do Ambiente, onde participou no enquadramento das primeiras políticas públicas ambientais. Exerceu funções como adjunta do Secretário de Estado do Ambiente entre 1977 e 1978 e como Chefe da Divisão de Estudos de Ordenamento da Direção-Geral do Ordenamento entre 1982 e 1983.
Concluiu o doutoramento em Arquitetura Paisagista em 1997, no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, com a tese Morfologia da Paisagem, instituto onde, a partir de 1988, passou a lecionar disciplinas na área do Ordenamento do Território, no curso de Arquitetura Paisagista. Foi também docente no Instituto Superior Técnico, no curso de Engenharia do Ambiente, entre 1988 e 2000. Desde 1988, coordenou o Centro de Estudos de Arquitetura Paisagista (CEAP) do Instituto Superior de Agronomia, desenvolvendo atividade de investigação nas áreas da paisagem, estrutura ecológica, infraestrutura verde e ordenamento do território. A sua atuação científica e profissional, marcada pela proximidade intelectual com Gonçalo Ribeiro Telles, contribuiu para a consolidação dos princípios ecológicos no planeamento e na gestão da paisagem em Portugal.
Foi membro fundadora da Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas, integrando a pró-comissão para a sua criação em 1974. Recebeu diversos reconhecimentos pelo seu contributo científico e cívico, entre os quais o Prémio Gonçalo Ribeiro Telles para o Ambiente e Paisagem, atribuído em 2022.
Maria Celeste de Oliveira Ramos nasceu em 1 de agosto de 1936, em Marvila, no concelho de Santarém. Fez os estudos secundários no Liceu Nacional Sá da Bandeira, em Santarém, que concluiu em 1954. No mesmo ano, ingressou no Instituto Superior de Agronomia (ISA), onde iniciou a sua formação académica, primeiro em engenharia agronómica e, em 1959, com pedido de mudança de curso para engenharia silvicultora.
No ISA, concluiu a componente curricular da licenciatura em Engenharia Silvicultora em 1963, realizando o estágio em São Tomé e Príncipe no ano letivo de 1964/65. Em 1965, inscreveu-se como aluna extraordinária no Curso Livre de Arquitetura Paisagista (CLAP), tendo realizado parte do seu percurso académico em simultâneo com a atividade profissional. Desde o início da década de 1960, esteve ligada à Missão de Estudos Agronómicos do Ultramar, enquadramento que explica a articulação precoce entre a formação técnica e a prática profissional.
Entre outubro de 1965 e abril de 1966, no âmbito do Ministério do Ultramar, foi destacada para Cabo Verde por um período de 180 dias, durante o qual participou na criação do Instituto de Investigação Científica e Tecnológica, sob a tutela de Hélder Lains e Silva.
Enquanto aluna de arquitetura paisagista, desempenhou um papel muito ativo na mobilização de fundos para as viagens anuais de alunos e professores. Em 1968 conseguiu uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para uma viagem de estudo pela Europa com os professores e colegas de curso.
Concluiu o Curso Livre de Arquitetura Paisagista em 1984, apresentando o Relatório Final intitulado "O Recreio Ativo em Parques Urbanos: O Ordenamento do Recreio e da Paisagem – Princípios de planeamento e ordenamento da Estrutura Urbana de Parques, Espaços Verdes de Enquadramento e de Áreas Desportivas".
A sua atividade profissional desenvolveu-se, entre 1967 e 1980, como colaboradora em projetos no atelier GPA, dos arquitetos Maurício de Vasconcellos e Bartolomeu Costa Cabral. Entre 1972 e 1974, exerceu funções na Repartição dos Jardins/Serviço de Parques e Jardins da Câmara Municipal de Lisboa, envolvendo-se também na criação de uma rede de viveiros municipais. De fevereiro de 1974 a 1986 integrou o Gabinete da Área de Sines (GAS), organismo extinto em 1989.
Teve um papel ativo na afirmação institucional e académica da arquitetura paisagista em Portugal. Foi cofundadora da Associação Portuguesa de Arquitetos Paisagistas (APAP), criada em 3 de março de 1976, integrando o grupo de 14 membros fundadores, registados no Diário da República, n.º 290, de 14 de dezembro de 1976. No mesmo ano integrou o júri do Prémio Rosas. Em 1977, participou do Salzburg Seminar in American Studies, com uma bolsa Fulbright.
Representou Portugal na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92), em Nova Iorque, em 1992, e, posteriormente, em Genebra, em 1993 e 1995. Entre 1999 e 2007 foi representante da APAP no júri do Prémio de Construção Nova (PER) do Instituto Nacional de Habitação, tendo integrado, entre 2007 e 2013, o júri do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.
Fundação (1952)
O Instituto de Estudios de Jardinería y Arte Paisajista (IEJAP) foi constituído a 12 de dezembro de 1952, no Museo Romántico, Calle San Mateo 13, Madrid. A reunião constitutiva reuniu um conjunto de profissionais e personalidades ligadas à jardinagem, à arquitetura paisagista, à botânica e às artes, que aprovaram por unanimidade os primeiros Estatutos da instituição, lidos por D. Mariano Rodríguez de Rivas. A finalidade declarada foi desenvolver um ambiente de trabalho em benefício da floricultura, da jardinagem, das árvores e da paisagem espanholas.
A primeira direção eleita foi constituída por: Presidente, Gabriel Bornás (Engenheiro Agrónomo); Secretária, C. de Cosío de las Bárcenas; Tesoureiro, Carlos Domínguez de la Fuente (Advogado); Responsáveis por secção — Jardinagem: Francisco Prieto Moreno (Arquitecto); Árvores: Princesa de Hohenlohen; Floricultura: Baronesa de Casa Valdés; Paisagem: Ángel del Campo. Entre os membros fundadores presentes contam-se ainda Santiago Arróchaga, José Jáuregui e outros profissionais das áreas da engenharia agronómica, da arquitetura, da advocacia e da jardinagem.
Foram nomeados Membros de Honra: Sr. Rafael Cabestany (Ministro de Agricultura), Sr. Díaz Pérez González (Ministro de la Gobernación), Sr. Antonio Gallego Durán (Director General de Bellas Artes), Lord Aberconway (Presidente da Royal Horticultural Society, Londres) e Sr. Jellicoe (Presidente da Federação Internacional de Arquitetura Paisagista).
Constituição legal e primeiros anos (1953–1967)
Os Estatutos fundacionais e a ata constitutiva foram apresentados à Jefatura Superior de Policía de Madrid a 24 de março de 1953. A instituição foi inscrita no Registro Nacional de Asociaciones a 28 de fevereiro de 1957, com o Número Nacional 5.257. A 26 de maio de 1967, o IEJAP foi declarado de Utilidad Pública pelo Estado espanhol. O domicílio social inicial foi a Calle San Mateo 13, Madrid (Museo Romántico).
O IEJAP intitulou-se Membro Fundador da Federação Internacional de Arquitectura Paisajista (IFLA), facto que a instituição utilizou regularmente no seu cabeçalho oficial. Esta pertença conferiu-lhe a representação de Espanha na federação internacional e determinou grande parte da sua atividade ao longo das décadas seguintes.
Revisão dos Estatutos e inscrição formal (1965–1967)
Em cumprimento da Ley 191/1964 da Jefatura del Estado e do Decreto 1.440/1965 do Ministerio de la Gobernación, que exigiram a adaptação de todas as associações existentes ao novo enquadramento legal, o IEJAP adoptou uma "Propuesta de Nuevos Estatutos" em 16 de dezembro de 1965, ratificando a plena capacidade jurídica da instituição como Associação. Estes Estatutos foram oficialmente aprovados e visados por resolução de 28 de fevereiro de 1967, data em que o IEJAP foi formalmente inscrito no Registro Nacional de Asociaciones com o Número 5.257.
Autorização do Conselho de Ministros para pertença à IFLA (1967)
Por acordo do Conselho de Ministros de 26 de maio de 1967, foi autorizada a pertença do IEJAP à Federação Internacional de Arquitetura Paisagista (IFLA), conforme constava no correspondente protocolo no Registro de Asociaciones do Ministerio del Interior. Esta autorização governamental conferia à filiação do IEJAP na IFLA um estatuto jurídico reforçado em relação às filiações de carácter puramente associativo. Contudo, o Informe Carralero de Outubro de 1985 esclarece que o estatuto de "membro fundador" da IFLA, que o IEJAP reivindicava e utilizava nos seus cabeçalhos oficiais, foi contestado pela própria IFLA, que reserva essa condição às pessoas individuais signatárias do acordo fundacional da federação, não às associações nacionais.
Dispersão documental e dificuldades de reconstituição histórica (décadas de 1960–1980)
O período entre a fundação e meados da década de 1980 é o menos documentado no arquivo da instituição. Um informe interno de outubro de 1985, encomendado para analisar a situação e o funcionamento do IEJAP, registou explicitamente que a escassa documentação existente na Secretaria «impossibilita llegar a la reconstrucción de la trayectoria seguida por el IEJAP desde su constitución», atribuindo essa lacuna à retenção de documentos pelos presidentes sucessivos nos seus arquivos pessoais e aos extravios resultantes das várias mudanças de domicílio. O mesmo informe refere que o IEJAP reconheceu, num escrito de 11 de novembro de 1983 dirigido ao Ministerio del Interior, encontrar-se num «estado de gran confusión».
Neste período, a sede social foi transferida para o Real Jardín Botánico, Plaza de Murillo 1, Madrid-17, e posteriormente para Claudio Moyano 1, 28014 Madrid. O cabeçalho oficial registado nesta época indica ainda a qualidade de «Centro Colaborador del Ministerio de Agricultura».
Modificação dos Estatutos (1984–1985)
A Assembleia Geral Extraordinária de 10 de abril de 1984 acordou modificar os Estatutos, reformando o conteúdo de vários artigos, incorporando novos órgãos operativos e abrindo explicitamente a instituição a todas as disciplinas relacionadas com a jardinagem e a paisagem. A Resolução de aprovação do Ministerio del Interior (Dirección General de Política Interior, Subdirección General de Asociaciones) foi emitida a 24 de julho de 1985 (Saída nº 2817).
Mudança de denominação e de sede (1998–1999)
A Assembleia Geral Extraordinária de 30 de junho de 1998 acordou modificar os Estatutos, com as seguintes alterações registrais principais aprovadas pelo Ministerio del Interior (Resolução de 20 de julho de 1999, Saída nº 6879): alteração da denominação para ASOCIACIÓN ESPAÑOLA DE PAISAJISTAS (A.E.P. – I.E.J.A.P.); transferência da sede social para o Real Jardín Botánico Juan Carlos I, Campus da Universidade de Alcalá, Ciudad Residencial Universitaria, 28801 Alcalá de Henares (Madrid), mediante carta de conformidade de 30 de junho de 1999 assinada por Rosendo Elvira Palacio, Director Técnico daquele Jardín Botánico.
Aprovação de novos Estatutos, Código Ético e Regulamento (2013)
A Assembleia Geral Ordinária de 19 de janeiro de 2013, realizada no Real Jardín Botánico de Madrid, aprovou novos Estatutos, Código Ético e Regulamento de Régimen Interior. O processo de registo das alterações junto do Ministerio del Interior decorreu entre fevereiro e abril de 2013, com sede declarada em Calle Gran Vía 57, 10º G puerta 5, 28013 Madrid. O Ministerio del Interior emitiu um aviso de deficiências a 30 de abril de 2013, exigindo a correção de elementos formais das atas e certificados apresentados.